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Shirley Paes-Leme
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Neu und in Arbeit (Erscheint ca September 2011):
SHIRLEY PAES LEME
"entre arte e vida"

Museu Vale fica líquido nas mãos de Shirley Paes Leme
 

Artista exibe "Água Viva", mostra que transformará o museu em um lugar líquido e aquoso que inter-relaciona literatura, cidade, pertencimento e memória
Shirley Paes Leme ocupa o Museu Vale a partir de junho, com exposição que estimula e desafia o público a construir sua própria forma de perceber a realidade, além de valorizar elementos da cultura local.  Em uma sala com piso espelhado, as pessoas se vêem diante de imagens refletidas e invertidas - não apenas de si mesmas, mas do próprio ambiente. O espectador, levado a navegar pela inter-relação da obra com o lugar, torna-se parte desse espaço real e virtual. Assim começa o percurso de "Água viva", exposição de Shirley Paes Leme que o Museu Vale realiza de 1º de junho a 12 de agosto, por iniciativa da Fundação Vale e com patrocínio da Vale. A mostra, que tem curadoria de Jürgen Harten, reúne quatro diferentes experimentos sensoriais concebidos pela artista, que foi aluna de Amílcar de Castro na Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais. Shirley expõe no Brasil desde 1975 e em diversos países desde 1983, além de colecionar prêmios importantes.

Heterotopia e percepção

Shirley desenvolve, desde 1984, estudos e pesquisas sobre o conceito de heterotopia, desenvolvido pelo filósofo Michel Foucault. Em 1986, escolheu esse assunto para seu doutorado.  Segundo Foucault, heterotopias são espaços específicos que se situam "dentro" dos espaços sociais cotidianos, porém com funções diferentes e às vezes opostas. Tais espaços, que reúnem resquícios de vários outros espaços e tempos, formam um conjunto que foge do cotidiano e permitem experiências paralelas diversas.  Sons, luzes, imagens e corpos humanos em movimento ou imóveis tecem, assim, uma malha de energias que interagem entre si e criam um novo espaço.  "A pesquisa sobre espaços é permanente e continua até hoje", explica a artista, que mantém um grupo de estudos sobre o tema em São Paulo, com integrantes de vários estados brasileiros e também de outros países.

 A exposição

Logo na entrada, a artista propõe uma reflexão sobre a água e a falta dela: a instalação "Água dura" abriga recipientes cerâmicos fabricados especialmente pelas tradicionais paneleiras do bairro de Goiabeiras, em Vitória/ES, com quem Shirley Paes Leme vem trabalhando há mais de um ano. No fundo dos recipientes há resíduos secos de águas recolhidas das torneiras da cidade de Vitória/ES. Esses resíduos formam desenhos aleatórios, em virtude do contraste entre sua cor clara e a cor escura do fundo das panelas de argila.
Nas paredes da sala com piso espelhado, desenhos feitos com tinta extraída da casca de árvores dos mangues locais - material que Shirley pesquisa há 12 anos - mostram linhas que se entrelaçam com um emaranhado de palavras e frases extraídas do livro "Água Viva", de Clarice Lispector, que dá nome à mostra.  "Os desenhos nas paredes contêm referências tanto à literatura, à poesia, à criação feita pelo homem, quanto à percepção direta da natureza", pontua a artista.  Assim, trazem à tona a questão das formas de conhecimento e compreensão do mundo e da necessidade do homem de situar-se sempre, buscando entender permanentemente o que se encontra ao seu redor, contextualizado com o espaço e o lugar onde vive. A projeção de um filme completa a sala.
"O chão espelhado funciona como uma heterotopia, no momento em que transforma este lugar, o que ocupo no momento em que me vejo no espelho, num espaço que é, ao mesmo tempo, absolutamente real (associado a todo o espaço que o circunda) e absolutamente irreal, já que para perceber o real é necessário atravessar esse "ponto virtual" que está do lado de lá do espaço" reflete Shirley, citando Foucault.  "Há uma fusão da imagem do individuo com a imagem do lugar incorporado na paisagem. O individuo se procura no espaço e, ao olhar de cima para baixo, percebe uma distorção da sua imagem e da imagem do lugar. Ele é inserido na imagem de uma outra maneira, em uma outra posição. Há o reflexo da imagem de seu corpo e do corpo arquitetônico do lugar", diz Shirley Paes Leme, que pretende com isso estimular a criação, pelo público, de um "lugar" onde aconteça "um relacionamento, um contato vivo e ativo de prazer e experimentação".
Para Shirley, visto de longe, o chão espelhado - essa superfície "molhada" - assemelha-se a um mar que aceita os passos de transeuntes que, de dentro dessa sala, podem ver o mar e toda a paisagem do entorno do Museu, questionando o discernimento entre o real e o não real.
A sala seguinte, pequena e totalmente espelhada, simula no espectador a sensação de estar em um poço profundo.  "A sensação é de uma perda de chão, que de certo modo reflete esse "abismo contemporâneo" em que se vive atualmente, com poucas certezas e constante mudança", explica Shirley. A última sala, situada no terceiro pavimento do museu, exibe em suas paredes desenhos sobre tela, produzidos com a mesma tinta feita a partir das cascas das árvores do mangue que foi usada para os escritos da primeira sala.
Serviço
Água Viva
Instalação de Shirley Paes Leme
Curadoria: Jürgen Harten
Textos: Doreet Levitte Harten, Cauê Alves, Marcelo Campos e Daniela Castro
1º de junho a 12 de agosto 2012


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